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Infectologista do MPHU faz alerta para cuidados com a dengue

27/03/24

A população deve ficar atenta aos sintomas da doença e buscar atendimento médico quando necessário.

 

A dengue é uma preocupação constante. Com a temporada de chuvas e as altas temperaturas, aumenta a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão da doença.

Minas Gerais já registra cem mortes causadas pela dengue até a primeira quinzena de março de 2024. Além disso, 372 óbitos estavam em investigação. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), que já contabiliza 232.789 casos da doença. Segundo o Ministério da Saúde, o Estado ocupa o segundo lugar em mortes por dengue, perdendo apenas para o Distrito Federal que registrou 109 óbitos.

Neste sentido, a população deve ficar atenta aos sintomas e buscar atendimento médico quando necessário. A infectologista do Mario Palmério Hospital Universitário, Ana Paula Felice, faz um alerta para a doença, trazendo informações desde os primeiros sintomas até dados sobre as vacinas e formas de prevenção da dengue. Confira.

 

 Quais os primeiros sintomas da dengue?

 

Um quadro de dengue pode ser assintomático, mas quando apresentar alguma manifestação clínica, espera-se, dentre algumas: febre repentina, dor no corpo, dor nas articulações, dor de cabeça, inclusive dor atrás dos olhos, náuseas (enjoo), vômito, alteração do hábito intestinal - aumento da frequência das evacuações e/ou diminuição da consistência das fezes - perda do apetite alimentar, sensação de fraqueza.

 

Como é feito o diagnóstico?

 

O diagnóstico é clínico e laboratorial; então, diante de sintomas sugestivos de dengue, a suspeita será levantada e a confirmação diagnóstica nos primeiros dias do início dos sintomas (até o 5º dia) deve ser, preferencialmente, através de exame laboratorial, sendo aquele de escolha o RT-PCR em tempo real, mas podendo utilizar, também, o exame de antígeno - NS1; dentre algumas outras opções. A partir do 6º dia do início dos sintomas, os exames laboratoriais para confirmação diagnóstica serão por sorologias - IgM e até mesmo IgG - devendo ser coletas em duas fases distintas para melhor avaliação/interpretação.

 

Quando buscar auxílio médico?

 

Na suspeita de dengue, deve-se procurar o auxílio médico para que sejam dadas as devidas orientações de hidratação oral, sintomáticos a serem utilizados, medicações que devem ser evitadas, assim como restrições de algumas atividades físicas e bebidas alcóolicas, além dos esclarecimentos sobre os sinais de alarme.

 

Qual o tratamento?

 

Manter boa ingesta hídrica com água filtrada, soro de reidratação ou soro caseiro, água de coco, sucos caseiros, e uso de sintomáticos, conforme a necessidade.

 

Qual a eficácia da vacina?

 

A vacina, aprovada pela Anvisa em março/2023, - Qdenga - inclusive, estando sendo administrada, seguindo as definições pré-estabelecidas, junto ao Ministério da Saúde - é composta por vírus vivos atenuados, então, induz resposta imunológica contra os 4 sorotipos da dengue com confirmação de infecção em seres humanos. É aplicada em duas doses, com intervalos de três meses entre elas, e está recomendada para pessoas de 4 a 60 anos; inclusive podendo ser administrada em pessoas sem a confirmação de quadro de dengue prévio, mas com restrição/contraindicação para pessoas com alergia a algum dos componentes da vacina, pessoas com doença e/ou condição clínica imunossupressora, gestante e/ou lactantes. Foram relatadas reações adversas leve a moderada, após 2 dias da aplicação da vacina e com duração de 1-3 dias, normalmente.

A Dengvaxia ? primeira vacina contra a dengue aprovada pela Anvisa ? vacina tetravalente e com vírus vivo atenuado, também, é indicada somente para pessoas de 9 a 45 anos e que tiverem diagnóstico prévio confirmado de infecção de dengue, e é recomendada em três doses em intervalos de 6 meses.

 

Como podemos prevenir, além do controle do vetor, que é o mosquito transmissor da doença? O uso de repelente é eficaz?

 

Para ser efetivo contra o mosquito da dengue, o repelente deve conter uma das seguintes substâncias: Icaridina 20-25% ? duração de dez horas. DEET 10-15% - duração de seis a oito horas. A recomendação da Anvisa é clara: não há qualquer impedimento para a utilização desses produtos por mulheres grávidas, desde que os repelentes estejam devidamente registrados na Agência. Os produtos à base de DEET não devem ser usados em crianças menores de dois anos. Os repelentes devem ser aplicados nas áreas expostas do corpo e por cima da roupa, e a reaplicação deve ser realizada de acordo com indicação de cada fabricante.

Mas não podemos deixar de nos empenhar no controle dos possíveis focos para o mosquito da dengue; então, devemos evitar acúmulo de lixo em nossa casa e ao redor, assim como reservatórios com água parada, e até mesmo os dispositivos de ração e água para nossos animais de estimação.

Cada um deve assumir seu papel e responsabilidade no combate à dengue, e não delegar tudo aos órgãos públicos de administração, esquecendo da nossa importância na propagação desse e de tantos outros vírus.

 

Daniela Brito